Sobre a Rosa | Capítulo 3 |

Voltamos 2021 anos no tempo, enquanto Oriel Siberlink via todas as cenas que se passavam.
Jesus Cristo, jantava com seus discípulos, e sua esposa, Madalena. Maria Madalena.
A mãe de Jesus, Maria de Nazaré, também estava a mesa com todos.
E então, Jesus os diz que estavam fazendo barulho, muito barulho.
Pessoas descrentes da palavra tramavam a sua morte e o mal, o mal estava por toda a parte.
Ele sabia que ia acabar sendo pego, mais cedo ou mais tarde.
Não importava o quanto ele tentasse se proteger, a proteção não era eterna.
Sua palavra não podia morrer com ele, seus discípulos tinham que seguir e espalha-la.
Ainda que fossem como ele perseguidos, tinham que resistir.
Tempos difíceis e sombrios se aproximavam, mas se as pessoas acreditassem que era possível vencer aquilo tudo, a vitória seria dada.
Cristo dizia, aceitaria sacrificar a sua vida, para que pudesse proteger toda a humanidade.
Mas, seus seguidores mais fiéis ali naquela mesa, não podiam deixar a sua palavra morrer com seu corpo.
Os discípulos dizem um a um, jurar fidelidade ao Mestre e que não iam permitir a palavra acabar.
E então, Jesus fala diretamente a um deles.
Para Judas, que questiona por que eles não se rebelam, por que Deus deixaria seu filho morrer.
Judas, questiona tudo e sempre foi questionador, mas nem sempre questionar era uma virtude.
As vezes quem questionava demais, acabava se perdendo no caminho.
Judas não gosta da explicação da mesa, e se retira.
Vai para fora da casa, onde se senta e reflete um pouco sobre tudo aquilo.
Será que teria sido ele, enganado todo esse tempo pelas palavras de Jesus?
Seria Jesus um homem como outro qualquer, e que agora sabendo que estava perto de ser pego, estava tentando demonstrar arrependimento pelas coisas que disse ser capaz de
fazer?
Mas como poderia ser verdade, se tantas coisas ele fez.
Judas mesmo viu.
Jesus multiplicou os peixes, andou sobre as águas, tantas coisas e tantos milagres atribuídos a ele e as suas mãos.
Que ficava difícil entender que ele não fosse o escolhido.

E um homem então surge, para falar com ele do lado de fora.
Lúcios, era seu nome.
Fala para Judas, que suas respostas poderiam ser dadas, por ele.
Que se aceitasse caminhar a seu lado, ele poderia ter tudo que ele um dia pensou ser possível ter.
Riqueza, mulheres, glória.
O que ele pedisse seria seu, porque ele não era tão ruim como Deus.
Porque se Jesus poderia mesmo falar com Deus, como poderia ele deixa-lo morrer?

Lucios convence Judas a estar a seu lado, e antes que ele voltasse para dentro da casa, ainda na mesa, Madalena diz a Cristo.
O seu poder e a sua palavra nunca seriam esquecidos, e jamais poderiam ser encerrados.
Ela acaricia a barriga.
Ainda que o corpo de Jesus morresse, sua descendência perpetuaria os séculos e séculos, partindo dali.

A companheira de Jesus, Maria Madalena, estava grávida.
Um alvoroço se fez presente na mesa.
Maria de Nazaré, se assustou.
O próprio Cristo se surpreendeu, afinal por esta nem ele mesmo esperava.

Pedro, diz que era um sinal, um sinal de Deus.
As esperanças depositadas numa nova criança, que deveria continuar a obra de Jesus.
E o quantos feitos maravilhosos seu filho ou filha poderia fazer?
Jesus fecha os olhos por um instante, e em seguida os abre.
“Esta criança não pode ser revelada.
Se ela for, haverá muito mais morte e discórdia no mundo.
Maria tem que ser escondida e levada para longe, bem longe daqui.
Quero que alguns de vocês a leve, imediatamente após minha morte.
E que esta criança fique em segurança, que não saiba de sua origem.
Pedro, caberá a você continuar o trabalho que comecei aqui na Terra.
Espalhe a minha mensagem, construa templos para meu Pai, e então, eu estarei dentro de cada um deles.
A minha palavra vai se perpetuar, mas esta criança deve ficar segura, a qualquer custo.”

E assim se fez.
Jesus Cristo acabou perseguido e em uma luta violenta contra o mal, sucumbiu.
Ele foi derrotado e seu espírito, destruído.
Seu corpo foi lançado aos leões, não existem restos mortais de Jesus, a nem um lugar.
O espírito virou pó, aniquilado pelas forças das trevas que naquela noite fria, dominaram o mundo.
Todos os países, de norte a sul, de leste a oeste, experimentaram a maior onda de frio já registrada antes.
As baixas temperaturas pareciam congelar, tudo que o vento tocasse.
Era a ira de Deus sob a Terra, por que?
Porque os Homens não souberam aceitar seu enviado.
Maltrataram seu filho, e destruíram a sua passagem.
Mas Madalena.
Madalena carregava quer quisessem ou não, a continuidade da linhagem de sangue Real.
Se Jesus fosse visto como de fato filho de Deus, de Madalena nasceria talvez o seu neto. ou neta.

E Maria Madalena, sente as dores antecipadas do parto.
É preparada para o nascimento de sua criança, em meio a geada lá fora.

A força das trevas está por toda parte, Oriel Siberlink pode a ver e pode a sentir.
Ainda que tudo aquilo seja uma visão diante a seus olhos, era como se ele estivesse lá, vivenciando aquilo.
E então, nasce a criança de Maria Madalena.
Seu choro ecoa, e Pedro então revela aos discípulos.
“Nasceu o filho do Sr.
Aquele que falará diretamente com Deus, ainda que o mundo não saiba nunca disso.
Dotado de sabedoria, e que nos guiará nessa nossa nova jornada.”

Cavalheiros contratados por Pedro, chegam a casa onde Madalena deu a luz.
E Pedro pede que eles levem a criança e a Sra. para longe.
O mais longe que puderem dali, e que nunca, sob nem uma hipótese ou aspecto, revelem seu paradeiro.
Antes de Jesus partir, ele entregou a Pedro um anel, e disse que com aquele anel, ele poderia construir uma nova doutrina de vida.
Aquele era o anel do pescador, que faria de Pedro, pescador de almas.
Para salva-las do pecado e do mal.
Além disso, lhe entregou também uma pedra, uma pedra em forma de rosa.
Que então Pedro entregou a um dos cavalheiros dizendo.

“Você é o responsável por proteger estas pessoas.
Caminhem com cuidado e se necessário, deem sua vida por eles.
E use esta pedra.
Não precisa perguntar como, basta coloca-la entre as mãos, ou coloca-la nas mãos do bebê, se correrem perigo.
E então, as divindades celestes irão protegê-los de todo o mal.
Cristo nos disse que seria assim, e eu confio que o seja.
Agora vão, antes que os descubram, e que seja tarde.”

Antes de partir, Madalena fala com Pedro.
“Ele queria que eu fizesse o templo, mas fiquei grávida.
Agora cabe a você continuar a obra de Deus na Terra.
Fazei isto e honrai a memória dele, em teu nome e em nosso nome Pedro.”
“Assim será feito Madalena, pode apostar.”
“Antes que me vá, a criança é uma menina.”
Fala Madalena, retirando o véu que cobria o bebê.
Os olhos azuis da criança, penetram profundamente Pedro, como algo jamais o tocara.
“Seu nome é Sofia.
Sabedoria para guiar o mundo nestes novos tempos”, Diz Maria.
Que embarca numa carruagem na noite fria.