Capítulo 1 | Especial de pré-estreia | Sobre a Rosa |

“O meu nome é Oriel Siberlink.
Sou o herdeiro da SHG Corporation, a maior indústria de tecnologia de Oglopogos, talvez uma das 10 maiores do mundo.
E esta é a minha historia.”

Na manhã daquele dia chuvoso, onde as temperaturas estavam baixas, Oriel Siberlink avança um pouco na hora de se levantar.
E quando percebe nota que estava quase atrasado para a primeira reunião matinal.
Enquanto se veste rapidamente, uma ligadela no rádio para escutar as notícias, hábito que cultivava todas as manhãs.
Todos os órgãos de imprensa naquela oportunidade falavam apenas uma coisa, a visita do Papa.
Pela primeira vez em anos, um Papa da Igreja Católica visitaria Oglopogos.
As pessoas estavam eufóricas com isto, e com a possibilidade de receberem a benção do Santo Padre.
Oriel, enquanto ajeitava a roupa pensava.
“Mas como isso é possível, tantas pessoas entorno de um homem, ele não é santo, ele não é Deus.”
Ele também pensava “Mas será que existe mesmo um Deus, porque tantas pessoas veneram, venera, mas nunca o vi por assim dizer.
Tudo o que sabemos é o que os homens dizem sobre Deus.”

Oriel termina de se vestir, leva o rádio para a cozinha, se senta na mesa e prepara o café.
Depois de tomar uma cápsula de café, que acabou de preparar na máquina, se levanta.
Deixa o rádio agora desligado, passa a mão na pasta de trabalho sobre o sofá, e saí de casa.
Caminha a garagem do edifício, entra no carro, o liga e vai rumo ao escritório.
Nas ruas, tantas pessoas em meio a chuva que ele observa, nas suas rotinas diárias.

Ao chegar na SHG, ele desce do carro e no estacionamento nota uma mulher vindo a seu encontro.
Ela faz um sinal para que ele espere, que não acelere seu passo para que ela o alcançasse.
Pensava ele que com certeza era uma pessoa a vir lhe entregar um curriculum.
“Sr. Oriel Siberlink?”
“Sim sou eu.
Mas se for me entregar curriculum, não estamos contratando agora, me desculpe.”
Ela o entrega um envelope, e prossegue.
“Não é um curriculum que tem aqui.
Mas é algo que precisa ver.”
Oriel começa a abrir o envelope, mas ela coloca a mão sobre a sua.
“Não, não. Agora não.
Deve abrir o envelope no final do dia, nem agora, nem no meio, só no final do dia, por favor.”
Ele fica sem entender, qual seria a diferença, mas então sorri para a estranha.
“Outra coisa Sr.
Hoje irá conhecer uma moça, uma moça que vai mudar sua vida para sempre.”
“Sério?
E quantos anos ela tem, como ela se chama, onde vou encontra-la?”
Fala ele com um certo tom de deboche ou incredulidade.
“Vai saber quando a vir, mais tarde, em algum momento de seu dia.
Seus cabelos são cumpridos, pretos.
É o que posso lhe dizer.”
A moça se afasta e Oriel, fica com aquilo na cabeça, “Quanta bobagem”, pensa enquanto entra no elevador.
Já sabia que estava atrasado, e quando estava prestes a entrar na sala de reunião, eis que sua Assessora surge.
“Siberlink, espere.
Sei que está 20 minutos atrasado e que não é de seu feitio esperar.
Mas preciso que espere um pouco mais, tem uma pessoa que precisa lhe falar e é urgente.”
“Isso é sério Marília, agora?”
“Ele está aí, desde as 7 Sr.
E disse que só saí depois de o ver.
Se fosse o Sr. iria falar com ele.”
“Por que não disse para agendar um horário?”
“Por que não sei como dizer isso a vossa santidade.”
“O que?” Pergunta Oriel.
Quando olha para o lado, nota sentado no sofá, um idoso com uma túnica branca.
Segurava uma bengala entre as mãos, tinha um crucifixo no pescoço e um anel do pescador em um dos dedos.
“Não! Se tá de brincadeira comigo né?”
“Nem um pouco Sr. ele chegou antes do previsto, driblou a segurança e foi trazido por outros 2 guarda-costas aqui, eles estão lá fora.”
Fala ela apontando a direção.

Oriel se aproxima do homem, ainda incrédulo com que estava vendo na sua frente.
“Bom dia Sr.”
“Ah! Bom dia Oriel Siberlink.”
“Bem vindo a SHG Corporation, e me desculpe por o fazer esperar.
Se eu soubesse que viria, eu tinha mandado preparar algo mais apropriado, talvez um incenso para purificar o local”
Diz ele, num tom sarcástico.
“A forma como está, segue perfeito meu filho, lhe agradeço por me dar um pouco de seu tempo, pois eu sei que é muito ocupado.”
“A sim, claro, venha comigo vamos ao escritório.”

Oriel o conduz até sua sala, e avisa a Marília.
“A reunião foi cancelada, avise por favor, o Papa está aqui.”
Marília fecha a porta, vai fazer o que mandou o chefe, que agora se senta em sua cadeira de Presidente, diante ao Pontífice.
“Em que posso lhe ajudar?”

O Papa, retira uma fotografia de um envelope e mostra para ele.
“Está vendo essa imagem?
Há uma flor no canto dela.”
“Sim uma rosa.”
“Exato, uma rosa.
Esta rosa não é verdadeira, não é uma planta e não é artificial, ela é uma pedra em forma de rosa.
Uma pedra que é considerada um artefato muito importante da Igreja.
Poucas pessoas tem a chance de a ver, menos pessoas ainda podem toca-la.
Ela estava exposta em Paris, numa exposição de relíquias.
Isso, há cerca de 3 meses.
Mas nossa Rosa Sagrada foi roubada meu filho, e por isso estou aqui.”

“Espere, deixa eu ver se entendi.
Me procurou porque uma pedra foi roubada?
O que eu tenho a ver com isso? Não vá me dizer que um dos meus funcionários a roubou! Jesus!”
Fala ele sorrindo.
“Me parece um termo apropriado chamar Jesus, mas não é este o caso.
Esta pedra é muito importante, porque ela poucos sabem, é uma chave de um cofre.
Se as pessoas localizarem esta pedra, e o cofre que ela corresponde, elas podem entrar nele, e revelar tudo que está lá dentro.”
“Entendi, sujeiras que a Igreja quer esconder de seus seguidores não?”
“Não seriam sujeiras, mas seriam coisas antigas que precisam ficar em segredo, pois não é hora de revelar isso ainda.
A Humanidade meu filho, não está pronta para saber.”
“Sei, e o que eu tenho a ver com isso, ainda não entendi?”
“Tem a ver, que é o melhor desenvolvedor e programador do mundo, pelo que me contaram.
Eu não entendo nada de tecnologia, mas sei que o Sr. entende, e bem.
Eu preciso que o Sr. encontre esta pedra e traga ela para mim.”
“Mas se ela sumiu há 3 meses, por que agora está me procurando, por que só agora?”
“Nós soubemos que estão falsificando rosas sagradas, e precisamos achar a original.
E essa fábrica de falsificação está aqui, em Oglopogos.
A pedra verdadeira também está aqui, em algum lugar.
Mas meu serviço de inteligência não é capaz de acha-la, sem sua ajuda tecnológica.
Por se tratar de algo muito raro e valioso, preciso que seja o Sr. pessoalmente a liderar esta busca.
O que me diz Oriel Siberlink?
Topa ajudar um velho homem a achar sua pedra, e impedir a ruína de seu povo?”
“Parece muito tentador.
Mas infelizmente eu não tenho creio, como fazer isso hoje Papa.
Minha agenda está muito cheia.
Talvez num outro momento.”
Alguém bate a porta, Marília a abre.
“Com licença Sr. Tem uma moça aí que disse que precisa ver vocês, que foi chamada pelo Papa.”
“Ah! Ela chegou, peça que entre Senhorita, por favor.”
Fala o Pontífice.
A porta se abre e eis que ela cruza a porta.
Um choque para Oriel Siberlink, que na hora se lembra da profecia de horas mais cedo.
“Vai conhecer uma moça hoje, que mudará sua vida.”

“Pontífice, me pediu para vir e eu estou aqui, em que posso ajuda-lo?”
Oriel Siberlink, fica pasmo a olhando.
“Você quem é?”
“Ah, me desculpe que descortesia.
Oriel Siberlink, esta é Larissa Kristin, nossa simbologista favorita no Vaticano.
Larissa é professora de historia, e pesquisadora de símbolos e achados antigos.”
“Ah, sim. Prazer Senhorita.
Creio que também está aqui em busca da rosa perdida.”
Larissa emite um leve sorriso de canto de boca, sem qualquer som.
Fixa seus olhos, nos olhos azuis de Oriel.
“Creio que você é Oriel Siberlink, o anjo de ouro do Vaticano que irá me ajudar na busca.
Também creio que não tem ideia do que está falando, para se referir a pedra com tanto sarcasmo.”
Oriel, fica agora um tanto quanto sério.
“Anjo de ouro, que coisa é essa?”
“Há tempos temos lhe observado Oriel Siberlink.
Eu não sou o único, outros antes de mim.
O Vaticano tem te acompanhado passo a passo, porque sabíamos que um dia, chegaria o momento de clamarmos por tua ajuda.
Este momento chegou.”
“Isso tudo é muito novo para mim, metade do que me dizem não faz o menor sentido.”
“Claro é natural, para quem cresceu sem conhecer a historia.
Mas, agora vai conhecer a historia, toda a historia.”
“De que está falando, qual historia eu preciso conhecer.”
“Permita que a nossa historiadora o conte.
Larissa, por favor, revele ao nosso amigo, o que ele precisa saber para já.
A origem de nossa pedra, como isso se conecta com ele, o que tem a ver, com aquilo que está sobre a Rosa.”