Capítulo 10 | Trilhas do Coração |

“Isto ainda não acabou Heller, ainda vamos conversar e sabe que vai mudar de ideia.”
“Não vou Danielle, nem você nem meu pai, irão me persuadir, não irei denuncia-la se me deixar em paz.
Mas se não fizer isto, estou disposto a revelar o mundo o que você fez.”
Danielle deixa o quarto e parece irritada, desce pelo elevador.
Eu a acompanho a distância sem que me perceba, só para ter certeza de que ia mesmo sair.
Vejo quando o Sr. Heller a para na saída do hospital.
“Como foi com ele?”
“Seu filho é um imbecil e eu quero que ele morra.”
“Não diga isso querida, vamos resolver seja o que for.
Sei que ele ficou um pouco transtornado ao reencontrar Beatrice, eles tiveram uma historia muito rápida no passado, mas é coisa de momento.
Vai ver que quando ele voltar pra casa, tudo vai voltar ao normal.
Eu pessoalmente vou garantir, que Beatrice não se ponha entre vocês.”
“Acabou Tony, pode esquecer.
Não é nada a ver com a Beatrice, é ele mesmo que não quer.”

Ela saí, e eu volto para a UTI.
Garanto para Winston que parece que Danielle entendeu o recado, deixou a aliança com Tony, na saída do hospital.
Enquanto conversávamos mal sabia eu, o que estava por vir.

Tony vai ao Conselho de Enfermagem e diz que precisa apresentar uma denúncia por assédio, de uma de suas enfermeiras.
E diz, que isto não vem de agora.
O Conselheiro chefe o escuta, enquanto ele conta como eu assediei Winston Heller há 15 anos, e quanto estava repetindo a dose agora.

Momentos mais tarde ainda na UTI, Heller pergunta se eu não quero ir descansar.
Parecia exausta mas não arredava os pés de lá.
Eu digo a ele, que não quero, e a porta se abre.
Clarinha me leva um café e eu a agradeço.
Apresento os dois, e ela sorri, diz que eu falava muito sobre Winston Heller.
E reitera “Wesley é a sua cara”, sorrindo.

De repente a porta abre de novo, e agora quem entra é Kendra, chefe das enfermeiras.
“Beatrice eu preciso que venha comigo, temos um problema.”
Fico assustada e peço que Clara fique com Heller até que eu volte.
Kendra me acompanha até uma das salas de reuniões do hospital.
Vejo 3 membros do Conselho de enfermagem e me assusto.

“Sra. Beatrice, a partir deste instante lamentamos lhe informar, mas está afastada de todas as suas atividades como enfermeira.
Seu diploma e sua licença estão temporariamente suspensos, e terá que deixar as dependências deste hospital.
Não pode mais atuar como enfermeira nos próximos dias.”
“Como? Eu acho que não entendi.” Falo assustada.
“Temos uma denúncia contra a Sra. que temos o dever legal de averiguar.
Então por esta razão, está sendo afastada de seu cargo, com efeito imediato.”
A porta da sala se abre, e Piter entra.

“Como o Conselho de Enfermagem vem me fazer uma reunião, sem me comunicar antes.”
“Dr. desculpe mas este assunto é particular e processual.”
“No meu hospital, não existe assunto particular.
Todos os assuntos que envolvam meus funcionários são meus assuntos.
Ainda mais se for um, que envolva uma profissional da mais alta índole como a enfermeira Beatrice Neves.
Por isso, vai ter que me dizer e colocar a par de toda a situação.”
“A enfermeira Beatrice, foi acusada de um crime, enquanto investigamos o que deve levar um tempo, estamos suspendendo a sua licença de trabalho.”
“Isto é um absurdo, não podem fazer isso.”
“As regras do Conselho são claras, se há uma denúncia temos que investigar.
E se existe essa denúncia e uma investigação é aberta, para o bem da Sra. Beatrice, e dos denunciantes, ela tem que ficar afastada.”
Choro, acho que já sei do que se tratava tudo aquilo, era o cumprimento de uma promessa de 15 anos atrás.

“Nós vamos resolver isto, e chamarei a advogada do hospital para assessorar a Sra. Beatrice nesse processo.
Ela goza de minha inteira e total confiança, e eu tenho certeza, este processo absurdo será desfeito, sem qualquer prejuízo para sua ficha impecável de trabalho.”
“Como queira Dr. mas agora ela precisa sair.”
“Lamento Rinaldi, mas ela não vai a lugar algum.
Podem afasta-la do hospital no trabalho, mas não podem tira-la daqui a força.
Isso, só eu posso fazer, eu sou o Presidente do Simedical.
Daqui, Beatrice não vai sair se não quiser.
Ela está de acompanhante com um de nossos pacientes que é um grande amigo, e tem minha autorização para prosseguir.”
“Este paciente seria Winston Heller?”
“Sim exatamente o Sr. Heller.
Ele mesmo pediu, que Beatrice ficasse com ele, o tempo em que estivesse no hospital.”
“Infelizmente a queixa vem da família Heller, não podemos deixa-la se aproximar deste paciente.
Se fizer isto, teremos que acionar as autoridades de segurança, detê-la e o processo vai ganhar mais força.”
“Me parece que este processo, está envolvendo muitas cifras Rinaldi.
Particularmente nunca vi um empenho tão grande do Conselho de Enfermagem, num caso específico e ainda mais sem provas.
Não foi o paciente que denunciou, presumo, acredito ter sido seu pai.
Sendo assim, vá até ele Beatrice, eu assumo as responsabilidades por isso.”
“Sabe que pode perder sua licença médica por isso não é Piter?”
“Rinaldi, olhe pra mim.
Você sabe quem eu sou?
Um telefonema que eu der, você perde até a sua casa hipotecada, então não me venha com essa.
Sou Piter Kirkman, não sou um enfermeiro primeiroanista, dos que está acostumado a maltratar nos cursos de enfermagem.
Ponha-se no seu lugar, e ponha-se daqui para fora de meu hospital. Agora!” Grita Piter.

Os conselheiros deixam a sala, ainda estou chorando.
“Vamos resolver Beatrice, vamos resolver”, me fala ele, agora voltando os olhos para a assistente Carolina.
“Carolina, ligue para a Natasha, eu quero ela aqui agora pra resolvermos isso pra ontem.
Ah, e ligue para o Primeiro-Ministro, diga-lhe que temos uma situação aqui que requer toda a sua atenção.”
“Mas sr. agora é tarde.”
“Não importa se é 10 da noite ou 3 da manhã, faça as ligações, e traga todos para cá.
Não vamos permitir injustiças serem feitas, não hoje, não no meu hospital.”

Volto para a UTI, Clara estava parada na porta, Tony Heller estava do lado de dentro, discutindo com o filho.
Passo por Clara e ela tenta me impedir de entrar, mas não pode.
“O que está acontecendo aqui?” Pergunto.