Capítulo 8 | Trilhas do Coração |

“Sr. Heller de maneira muito respeitosa vou pedir que se retire daqui.
Estamos num hospital, não num clube de xadrez.
Nosso trabalho é garantir o bem-estar de Winston e eu estou aqui, trabalhando.
E porque ele pediu para que eu ficasse.
Há 15 anos atrás o Sr. me afastou da vida dele com uma série de ameaças.
Hoje essas ameaças não me fazem mais medo.
Pode me ameaçar o quanto quiser porque não vai impedir de eu ficar onde estou.
Se a Danielle quisesse realmente ficar com ele, ela estaria aqui.
Não a vejo em nem um canto.
Ela não está onde deveria estar, como eu não estive onde deveria todos esses anos.
Não sei o que vai acontecer daqui para frente, porém posso lhe assegurar.
No meu ambiente de trabalho não vou permitir que o Sr. venha me insultar.
Ou se comporta ou mando lhe porém daqui para fora.”
“Então finalmente a enfermeirazinha pois a asinha de fora, seu tipinho nunca me enganou Beatrice.
Eu conheço tudo a seu respeito.”
“Pode ser que o Sr. não sei, talvez tenha muito conhecimento nessa área vulgar.
Pode ser que esteja acostumado a se relacionar com esse tipinho, como fala de mim.
Mas eu não sou assim, dessa laia que prega.
Sou honrada, trabalho pra pagar minhas contas, ninguém paga por mim.
Não trato as pessoas como negócios, trato como seres humanos.
E eu criei por 15 anos, o seu neto, sozinha.
Sem um centavo seu e assim continuarei fazendo, agora saí daqui, estrupício.”

Depois de dizer isso e o ver sair, eu me sinto tão mais aliviada.
Por um instante até me esqueci do que estava acontecendo.
Queria que Winston estivesse me vendo ali, agora.
Tive uma força descomunal como antes nunca, por ele, para ele.

Piter vem falar comigo e fala que há um problema no coração de Winston.
Precisavam leva-lo de volta para a sala de cirurgia, e precisavam fazer uma substituição de uma das válvulas cardíacas.
Melissa fala que ele já sabia daquele prolapso, e que ele tinha adiado ao máximo que conseguiu.
Mas agora para salvar a vida dele, era essencial que o procedimento fosse feito.

Eu vou próximo a ele, Winston estava ainda fraco e inconsciente.
“Vão opera-lo agora e eu estarei aqui.
Prometo que não vou sair, não farei nada nem irei a lugar algum.
Só vou sair do seu lado quando me pedir para que me vá.
Agora volte para mim, e fique em paz, mas volte meu amor.”
Beijo com um selinho sua boca, queria que me correspondesse, nada acontece.
Eis que ele é levado para a sala de operação.
Piter e Melissa começam a cirurgia.
Do lado de fora eu aflita, e Clarinha se aproxima.
“Soube que o Heller foi para a cirurgia, sinto muito.
E soube que pois finalmente o pai dele no lugar devido, parabéns.
O que posso fazer para te ajudar amiga?”
“Estou com tanto medo Clarinha, tanto medo de o perder de novo.”
Falo e desabo a chorar, a forte e inabalável agora muda de postura, era tão frágil como poderia ser, vendo meu grande amor do passado, do presente e do futuro, naquela
situação.
“Eu te disse que a historia de vocês não acabou.
Deus colocou um frente a frente com o outro e agora, sabem de suas verdades.
Então Beatrice, ele não irá separa-los.”
Clarinha me abraça, e eu faço para ela um pedido.
Que vá em casa e cuide das crianças, eu não poderia voltar naquela noite no hospital com Winston, era onde eu precisava estar.

Meu aflito coração disparava, minhas mãos trêmulas soavam mais que qualquer outra coisa.
Olho de relance Danielle sentada lá na sala de espera, e Tony Heller ao lado dela.
Um homem que a segurava pela mão, parecia ser seu pai.
E eu vendo aquilo de longe, imaginando tantas coisas.
Sem ter ideia de como aquilo ia terminar.

A cirurgia acaba depois de horas de realização.
Winston Heller é levado para a UTI.
Levo as mãos a cabeça, agradeço a Deus quando sei do resultado.
Piter passa por mim, me segura pela mão e diz.
“Ele está fora de perigo, o trouxemos de volta, para você.
Agora vá ficar com ele, e não deixe que ninguém te diga diferente.”
Tão bondoso Piter Kirkman, diferente de tantos médicos que conhecemos aqui.
Com ele não tinham segundas intenções, cada toque, cada abraço, cada aperto de mão.
Tudo era sincero e absoluto.

Caminho em direção a UTI, e escuto alguém me chamar.
“Enfermeira, enfermeira.”
Então paro e vejo Danielle.
“Como meu noivo está?”
Me pergunta ela com a aliança ainda no dedo da mão.
“Ele passou pela cirurgia e está indo para a UTI.
Foi difícil mas fizeram o reparo e temos que esperar como ele vai reagir esta noite.
Dr. Kirkman está confiante, também devemos ficar.”

Danielle me agradece e eu sigo meu caminho.
Adentro na UTI e me sento do lado da cama, segurando a sua mão.
“Estarei aqui, quando acordar.”
E Winston abre os olhos.