Capítulo 6 | Trilhas do Coração |

Um tempo passado de tudo que contei, então acabei me casando com Tomas.
Claro que no começo como eu disse, tudo ´é rosas, mas algumas coisas nunca mudam.
A medida que eu avançava no meu trabalho, Tomas ficava um pouco diferente.
Cada vez mais distante e frio na cama, e cada vez mais possessivo.
O amor se transformava em obsessão, parecia doença.

Minha família nunca ia desconfiar e eu nunca ia contar, o que estava por acontecer, as coisas que passava eram sozinha, eu e minha dor que sentíamos.
Nada poderia deixar transparecer e o tempo, o temp o foi avançando.
Logo veio um novo bebê, agora de Tomas e eu pensei que isso o acalmasse.
Primeiro ele quis que eu me isolasse das pessoas, que saísse do trabalho e me dedicasse integralmente a casa e as crianças.
Princípio eu acabei concordando mas depois eu fui me sentindo cada vez mais sufocada.
1 ano mais tarde eu queria liberdade, eu queria trabalhar, ter as minhas coisas e a minha vida de volta.
Não teria.

Bastou uma matéria no jornal e o rosto de Winston Heller estampado na primeira página, vencedor no campeonato nacional de Xadrez, classificado para uma competição
internacional.
Eu estava tendo um reencontro com meu passado, e Tomas sabia.
O que tornou mais agressivo.
Se eu pensasse, suspirasse, se eu respirasse diferente era por Heller.
Heller tinha que morrer, ele dizia, para que voltasse a ser sua inteiramente de novo.
Nunca eu disse nada, nunca eu falei que estava sentido algo ou querendo ir atrás de você.
Mas para ele, cada roupa nova, cada maquiagem, cada perfume que usava, eram para encontra-lo.
Ficou insustentável, as agressões foram evoluindo, ao ponto de não conseguir mais suportar.
Numa noite, fugi de casa enquanto Tomas dormia, e não mais voltei.
Levei as crianças comigo e fui acolhida por Clarinha, sempre Clarinha.
Minha confidente e tão querida amiga a me acolher.

E todos os anos passaram, houve perseguição por parte de Tomas, denúncia a Justiça, um processo judicial.
Retomei minha carreira e Tomas foi preso, pelas agressões que me submeteu.
Mas ele ficou com mais raiva.
Disse que quando saísse, ia me matar.
A mim e as crianças, e que Clara não ia me proteger para sempre.

Eu queria voltar para casa, mas se voltasse poderia por em risco a vida de Winston, a minha e de meus filhos.
Tanto tempo passado mas eu tinha certeza, se Tony Heller me visse de novo, ele cumpriria a ameaça.

As coisas complicaram nos últimos 2 anos, quando um de meus filhos adoeceu, ficava quase 24h por dia no hospital, trabalhando e cuidando dele internado.
A doença era cruel, e eu estava sozinha.
Nunca mais quis me relacionar com ninguém, pós minhas experiências traumáticas.
Mas virava mexia, Clara me dizia.
Winston e eu, nossa historia não tinha terminado e um dia, estaríamos juntos de novo.

De certa forma, Clara tinha razão.
O destino brincou conosco.
Winston Heller veio para Oglopogos e depois de 15 anos, nos deparamos num leito de hospital.
E isso é tudo que tenho a lhe dizer.”

E a porta do quarto se abre, Melissa entra acompanhada de Tony Heller.
“Mas o que está fazendo aqui?”
Ele me indaga.
“Sou enfermeira Sr. estou fazendo o meu trabalho”, tento disfarçar.
Mas Winston, se senta na cama ainda ferido.
“Pai, eu quero que a enfermeira fique.
Eu quero que a Beatrice fique e participe de minha recuperação.”
“Acho que é importante fazermos o que ele pede Tony, vai ajuda-lo a sair daqui”, fala a médica.
“Todos queremos que ele vá para casa logo, então vamos colaborar.”
“Não quero ela aqui, quero que ele tenha uma outra enfermeira.”
A porta se abre, eis que entra então Piter Kirkman.
“Ela é a nossa melhor enfermeira.
Ao longo dos últimos 5 anos, não existe uma profissional melhor preparada que Beatrice.
Ela se preocupa com os nossos pacientes e com seu bem-estar.
E ela tem a total confiança de nossa equipe médica.
Agora vou pedir que o Sr. se retire, caso não esteja satisfeita com o tratamento, porque disso não pode opinar.
Enquanto estiver consciente, apenas o paciente pode decidir.
O Sr. quer que a Sra. Beatrice saía Winston Heller?”
Seu pai o olha com um olhar mortal, fita esses olhos na minha direção.
Murmura baixinho.
“Depois de todos esse anos, não permiti antes, não irei permitir agora.”
E Winston diz:
“Sim sim.
Eu quero que Beatrice fique aqui, quero que fique comigo, como sempre deveria ter sido.”
Estica a mão e me toca, e eu sinto uma coisa como antes nunca senti.
Frio na barriga, coração em disparada, a medida que ele segura minha mão, começo a tremer.
“Ninguém lhe fará mal minha querida.
Ninguém mais vai lhe ameaçar.
Eu sou Winston Heller, e vou proteger você, não importa se quem faz ameaças se ache um Deus, ele não é.
Não está acima da lei, e o que passou nunca deveria ter passado.
E eu quero conhecer o meu filho.”

Todos ficam boquiabertos, e Tony apenas deixa o quarto.
Kirkman, saí, Melissa fica pasmada.

Tony vai para a recepção raivoso, mas Piter se aproxima dele, leva a mão a seus ombros.
“Creio que tenha tido algum problema com a enfermeira Beatrice, eu não quero que isso reflita neste hospital.
Por isso o que tiver com ela, resolvam lá fora.
Mas se tocar nela aqui dentro, se for grosseiro, se eu se quer perceber uma troca de olhares que me desagrade.
Acredite quando eu falo, que vou te por na cela mais profunda de nossas prisões, e ser amigos de desembargadores não irá ajuda-lo, Sr. Heller.
Porque eu sou amigo do Primeiro-Ministro, então não nos teste, vai perder.”

Eu assisto da porta, a cena.
Piter passa por mim, e sorri.
Eu agradeço e ele toca em meu rosto.
“Apenas fique com seu paciente, e seja feliz.”