Capítulo 1 | Trilhas do Coração |

Capítulo 1.
Eu nunca pensei que um dia, fosse passar por isso tudo de novo.
Mas, as vezes os planos de Deus são acima dos que fazemos e achamos serem os corretos.
Nosso coração fica nas mãos de um amor, que define os rumos que traçaremos para nossa vida.
Bem vindos!

Estava em mais um dia de trabalho no hospital.
Parecia uma manhã tranquila no Simedcal.
De repente eles avisam.
Que chegaria um paciente a nível crítico, e que nós médicos e enfermeiros da emergência tínhamos que nos preparar.

A ambulância chega e antes que abrisse sua porta, aquela sensação que é impossível de explicar.
O coração dispara sem ver alguém passar, os meus olhos saltam para fora do rosto que treme.
Era um presságio.
Dizem que sente quando algo vai acontecer, e talvez de fato era o que eu estava sentindo mesmo, sem saber explicar.

A porta se abre, e trazem a maca.
Estava na porta e então eu só me lembro de afastar.
Meu mundo apagou, meus olhos escureceram quando eu vi aquele rosto.
Estava deitado na maca e era ele, e eu, eu nunca pensei que fosse reencontra-lo de novo.
Afastada, mal conseguia ouvir quando os médicos falavam.

“Paciente de 30 anos, parece ter arritmia cardíaca e tem um ferimento a bala no peito.”
“Vamos transferir no 3.
1, 2, 3”, dizem o transferindo de maca.
“Quero um ultrassom e quero um exame de coagulação, hemograma completo e tipagem sanguínea.
Preparem a sala de cirurgia e me tragam duas unidades de sangue universal, agora!”
Diz Dr. Piter Kirkman.

Eu me aproximo para ajuda-los, ainda estava tremendo um pouco.
Uma das médicas percebe.
“Está tudo bem Beatrice?”
“A sim, está sim Dra. Maria”, respondo.
Prosseguimos o atendimento, Piter vê onde está a bala.
Diz que ele precisa ser operado e apressa a todos.
Tínhamos que o levar e eu o olho passar.
Ele abre os olhos por um instante e eu sinto que ele olha diretamente para mim.
“Você”, me repete, ainda fraco.
Eu seguro em sua mão.
“Vai ficar tudo bem, fique em paz, vamos cuidar bem de você.”
Dra. Maria percebe aquela troca de olhares e a rápida conversa.

Ele é levado para a cirurgia e eu fico aflita do lado de fora.
E pego o telefone e chamo minha melhor amiga.
“Clarinha tem que descer aqui embaixo agora.”
Clara chega lá ela desceu da UTI pediátrica.
“O que foi amiga, que aconteceu, está pálida parece ter visto um fantasma.”
“Foi quase isso que aconteceu.”
“Como, me explique, sente aqui”, fala me pondo em uma das cadeiras no posto de enfermagem.
“Você se lembra daquela historia que eu te contei, no clube de Xadrez?”
“Sim claro que eu lembro, como é que eu ia esquecer amiga?”
“Ele está aqui.”
“O que, como assim?”
“Ele acabou de dar entrada com ferimento a bala.”

Alicia aparece na enfermagem, e diz para nós que deveríamos nos precaver.
A imprensa estava toda na porta do hospital, e nós tínhamos que garantir nada passar de dentro pra fora.
Ninguém poderia saber informações sobre O xadrista Winston.
Concordamos e Alicia se vai.
Ela era uma das pessoas mais importantes no hospital, assistente e amiga pessoal do Dr. Piter Kirkman, que estava operando Winston.

Horas mais tarde e eu no vidro, assisto a operação se encerrar.
Dr. Piter passa e me parece exausto.
Sua secretária o esperava com uma xícara de café.
Enquanto ele toma e se recupera, me aproximo lentamente.
“Dr. como Winston está?”
“Ele está estável. Mas não sabemos como vai ser.
A bala fez muitos estragos Beatrice e eu tentei fazer o melhor que eu pude.
Mas aquele coração, ele já estava detonado antes do tiro, agora foi pior.”
“Como assim Dr.?”
“O paciente tem uma cardiopatia muito severa, e eu temo que seja improvável que sobreviva.
Tem que dizer a família que não esperem o melhor.”
“Nossa.” falo deixando lágrimas escaparem.
O passado escancarado na minha cara e de novo, escapando por entre meus dedos.
Peço licença e saio aos prantos.
“O que houve com ela, desde a entrada deste paciente ela está aérea e agora assim, desmoronando.
Beatrice é uma das melhores enfermeiras que temos.” Clara o responde.
“Dr. Winston é diferente, ela o conhece há muitos anos e ela entrou em choque quando o viu baleado.
Fazia muito tempo que eles não se viam, 15 anos exatamente.”
Piter faz um olhar piedoso, se afasta, e passam com Winston para a UTI.

Na porta do leito de UTI, espero ele entrar.
Eles o acomodam e eu me aproximo.
E digo para ele que ficasse tranquilo, eu ficaria ali até que ele estivesse bem e pudesse voltar para casa.
Para mim, claro ele não ia me ouvir.
Mas de novo, numa daquelas manifestações que a gente não entende os significados, Winston Heller abre seus olhos.
E eu fico paralisada.