The Journalist | capítulo 1 |

Congresso Nacional, e o governo do Presidente Messias Montezino apresenta um projeto de lei polêmico para ser votado pela Câmara.
Parlamentares governistas tentam convencer a toda prova os colegas, da importância de se aprovar o projeto, que liberaria recursos extras para que a União arcasse com renda
para famílias mais pobres do país.
Era a criação de um grande programa de distribuição de renda, mas que para ser criado, mexeria em salários de aposentados da Seguridade Social.

A deputada Adriana Reis, da oposição, trabalhou fortemente contra a iniciativa.
Eleita para defender os interesses do povo e assistente social por formação, ela deveria ser a primeira a apoiar a proposta.
Mas não era.
Ela sabia que para dar recursos a mais pobres, o governo estaria tirando de outra parte essencial da população, os aposentados.
O que não poderia nunca ser permitido.
Mas Montezino, só pensava na sua reeleição no ano que iria se iniciar, e vinha mal nas pesquisas.
Por isso essa seria sua última chance de mudar esse cenário.
As conversas não estavam resolvendo, então a equipe do governo apelou para outros truques.
Adriana tinha certeza de que ia convencer a maioria de seus colegas, a não aprovar aquela aberração.
Mas naquela noite seu telefone começa a tocar, uma ligação atrás da outra, aliados desistiam misteriosamente de apoiar sua rejeição ao projeto e o governo ganhava terreno.

Adriana, decide investigar aquilo e liga para Alinne, fiel amiga e assessora.
Ela estava já de saída da Câmara quando pede que ela vá a seu apartamento funcional.
Lá, Adriana diz a Alinne que tinha algo errado com o governo.
Os deputados estavam avisando que estavam desistindo de apoia-la, e que o governo ia vencer.
Se o projeto passasse na Câmara ia passar sem a menor sombra de dúvidas também no senado, onde o governo tinha a maioria dos senadores do seu lado naquele instante.
Alinne diz a Adriana, que a tarde foi intensa.
Pelo menos 3 ministros da confiança de Messias, estiveram na casa de leis.
Senadores também perambularam nos corredores da Câmara.
Só conseguia pensar numa razão para isso acontecer.
Ou os deputados estavam se vendendo, ou estavam sendo chantageados.

Adriana diz a Alinne, que sua missão era descobrir o que estava acontecendo, até a manhã seguinte.
Na tarde daquele dia o projeto seria votado e ela tinha que contra-atacar a ofensiva governista, qualquer que fosse ela.
Alinne, diz que ia tentar descobrir o que estava acontecendo nos bastidores e a ligaria.
Ela telefona para o namorado a caminho de casa, e diz que não poderia ir ao Skype como de prometido.
Erus não morava em Brasília e por isso, todas as noites falava com a namorada pela internet.
Mas naquela quarta-feira isso não seria possível.
Ela diz que tinha que trabalhar numa coisa urgente que surgiu e pede desculpas.
Erus, queria a contar alguma coisa e disse mais cedo, que faria isso no Skype.
Ela se esquece completamente disso focada no trabalho, e Erus fica chateado.
As vezes era difícil compreender o quanto Alinne, com quem namorava já por 5 anos, dava mais importância ao trabalho como Assessora Parlamentar em Brasília, do que ao namoro.
Mas ele ainda seguia tentando, afinal amava muito a namorada.
Apesar da decepção, ele disfarça e diz que no dia seguinte se falavam então.
Alinne já o avisa, não ia dar, porque na quinta era a votação do projeto dos aposentados.
Ele diz então, que talvez se falem na sexta, ou não, e desligam.
Alinne percebe a chateação do namorado mas nada diz, ela liga para Maurício e pede que o colega volte para a Câmara, tinham que conversar.
Ele também era assessor da deputada Reis.
Então ele e ela se encontram no gabinete da parlamentar.
Alinne diz a ele que os deputados estavam mudando de ideia sobre a proposta da quinta-feira.
E então, fala que deveriam descobrir por qual motivo.
Maurício diz a Alinne que o governo tramou alguma para deixar Alinne e outros opositores de fora.
Havia grande movimentação no Plenário aquela hora da noite e ela acha estranho.
Vai ver e percebe que o Presidente da Câmara estava na mesa, folheando alguns papéis.
O painel de presença estava ligado e marcava, 320 parlamentares.
Alinne liga para Adriana.
“Tem que vir para cá agora, os deputados vão fazer a votação do projeto agora.”
“Agora? Não era amanhã?”
“Tem 320 deles aqui já registrados, assim que chegar em 400, vão dar o coro para a votação ser iniciada.”
“Registra eu, que eu to chegando, canalhas iam tentar passar a gente pra trás.
Alinne, liga pra todo mundo, incluindo a imprensa, esse projeto não pode passar.”

Alinne faz o que pede Adriana, que chega rapidamente a Câmara.
Ela pede a palavra ao Presidente, quando 380 deputados registram presença.
“Então iam fazer uma manobra e acharam que eu não ia perceber Presidente.
Que coisa feia, até pra vocês, da turma do Montezino.”
“Eu não sou da turma de ninguém deputada mais respeito ao falar comigo.”
“Vossa excelência por acaso, teve respeito com a oposição quando convocou essa sessão na calada da noite?”
O Presidente da casa não responde.
Os parlamentares continuam chegando e Alinne avisa a imprensa.
Maurício pede para falar com a colega em particular e ela deixa o plenário.
No gabinete ele a mostra algo no celular, e ela fica incrédula.
Então ela diz que ia falar para Adriana sobre aquilo, e saí em disparada.

No caminho cruza com um deputado em quem esbarra.
“Desculpe Alinne estava distraído.”
“Com certeza não é deputado.
Tem tanto dinheiro pelo qual se vendeu essa noite, que está perdido nos seus milhões.”
“Não estou entendendo o que está falando.”
“Nos conhecemos a muito tempo Henrique, então sem hipocrisia pro meu lado.
Eu sei o que você e o Montezino estão fazendo e eu vou contar.”
“Vai contar pra Adriana?
Como é que sabe que ela não ta nessa com a gente Alinne?
Eu esqueci, ela é a puritana né?”
Alinne faz uma cara nada amigável para o deputado.
“Se fosse você investigava melhor a sua chefe viu, pode se surpreender com o que vai descobrir.”

No Plenário, Maurício vai falar com Adriana por outro caminho e chega antes de Alinne.
Ele a entrega um envelope e ela parece assustada com o que lê.
“Mais que merda é essa Maurício?”
“Eu não sei mas eles sabem sobre o Bento.
Vão jogar na mídia se não parar essa oposição.
Não precisa votar a favor, mas tem que sair agora e anular sua presença aqui, faz de conta que nunca esteve nesse plenário.
Tem que sair agora Adriana essa perdemos, não dá pra vencer eles.”

Adriana vai saindo de fininho e Alinne a vê na outra porta, ela corre em direção a parlamentar a chamando, mas Adriana finge que não escuta.
Entra no carro e vai embora.
Ela se depara com Maurício e o questiona.
“Que merda é essa, que ta acontecendo?”