Capítulo 1 | Lei do Retorno |

Lei do Retorno – Capítulo 1

Como você acha que vai ser quando a sua missão aqui na Terra acabar?
Como acha que será a sua partida?
Algo tranquilo e mágico, com uma luz no fim do túnel para que possa seguir?
Que vai partir dormindo, sem ter ideia do que está acontecendo e que quando acordar, puf, estará morto e acabou?
Você acha mesmo que as coisas que você faz, as pessoas que machuca, quem maltrata,
acha mesmo que um dia mais cedo ou mais tarde, essa conta não será cobrada de você?
Para quem nunca conseguiu enxergar a verdade um aviso.
Vez ou outra ela vem diante a nossos olhos.
Pode demorar e pode ser que as pessoas nem percebam de primeira que estão pagando.
Mas a verdade é que no final pagamos.
Todos nós acertamos nossas contas.
Com nossos devedores e acima de tudo, com Deus.

Marco Antônio era um médico renomado e muito respeitado no hospital em que trabalhava.
Todos queriam se consultar com ele porque suas habilidades eram incríveis.
Desde muito jovem ele fazia muito sucesso e com o passar do tempo, foi ficando mais experiente e ganhando mais notoriedade.
Com a experiência veio a prepotência, poder único de crer que ele era como um Deus.
Que as pessoas viviam ou morriam pela sua vontade e por seus métodos.
O médico que fez o juramento de proteger, sabia que tinha o poder para agir a qualquer modo.
Seus poderes estavam acima de qualquer suspeita e de qualquer um, era o plano perfeito.

Aos 44 anos de idade não pensava em se casar e eram poucos os registros de aventuras amorosas.
Que terminavam quase sempre com suas namoradas indo embora da cidade, fazendo a vida em outro lugar.
Ninguém nunca entendia por qual motivo ele não conseguia ser feliz, e ninguém sabia também quais eram seus segredos.
Mas uma pessoa o conhecia bem.
Sabia seus pontos fracos e os fortes, como agrada-lo, o que dizer e o que fazer em todos os momentos e em todos os sentidos.

A enfermeira Lília.
Ela nunca se casou, nunca se relacionou com ninguém e nunca se deixou ser vista com ninguém.
Não ia para festas, era reservada, mas sempre conversava com o Dr. Marco em sua sala no hospital.
Estava sempre sorrindo depois de seus encontros, e há quem dizia que eram amantes.
Embora nunca ninguém tivesse visto nada ou tivesse como provar, o que não passava então de fofoca.
Marco, nunca assumiu para ninguém que sentia qualquer coisa por Lília.
Mas entre 4 paredes os dois tinham um segredo.
Eles se entregavam aos desejos mais profundos que se pudesse imaginar.
Por isso, ninguém o conhecia tão bem ou era capaz de satisfazê-lo como a enfermeira.
Mas por alguma razão, Lília não tinha algo que Marco quisesse para chama-la de esposa ou namorada, e eles continuavam assim, escondidos.
Ela não se importava com aquela situação, desde que ficassem juntos era o importante.
E Marco, só queria que o dia passasse logo, para ter mais uma noite de prazer com a enfermeira antes de amanhecer de novo.

A entrada de uma nova paciente no hospital, começou a mudar essa rotina.
Desde que o médico conheceu Helena, isso foi se modificando.
Sua relação com Lília foi esfriando e ele já não a procurava mais.
Helena tinha câncer e era uma paciente que não viveria mais do que 2 anos de vida.
Mas ela tinha algo que Lília não tinha nem teria, além da patologia maligna.
Ela era filha de Mariano, um dos fazendeiros mais ricos da região.
Assim que soube que a filha estava doente, Mariano logo se dispôs.
Doaria a maior quantia em dinheiro ao médico que a curasse.
Ele não entendia que aquela doença não poderia ser curada.
Marco, achou a proposta interessante e começou a se aproximar de Helena.
E nesse sentido, ela acabou começando a nutrir um sentimento pelo médico.

Em cada consulta, em cada quimioterapia, enquanto tentava combater um câncer que Marco sabia, não podia ser combatido, Helena se apegava as esperanças e ao médico.
Ele era seu salvador que logo se transformara em seu grande amor.
Mariano, foi ao hospital conversar com o profissional de saúde dizendo que sua filha se apaixonou.
Se o médico não se casasse com ela, isso poderia ser uma grande decepção, e o médico poderia acabar arruinando a sua vida.
Sua pobre vida já destruída por um câncer devastador.
Claro, que se casando com ela ele teria muitas portas abertas.
Na carreira, no hospital, nas posses, fazia questão de lembrar-lhe Mariano.

Marco, fez questão de dizer ao pai de Helena, que entendia a gravidade da situação de sua filha.
Mas que tinha que confessar, ele também a amava.
Por isso queria agendar para logo esse casamento, para que esperarem?
Eles se conheciam e ela estava em tratamento há 3 meses, não tinham mais que esperar.

Marco pede a mão de Helena, que se sente a mulher mais especial do mundo.
O jornal noticia a união que ia acontecer em algumas semanas, e é assim que Lília fica sabendo do acontecimento do ano.
E que descobre que perderia para sempre o amante. Ou não.

É numa conversa reservada na casa de Lília, que ela questiona Marco porque não o contou do casamento.
E que ele fala para ela que não disse, porque ela não precisava saber.
Não mudaria nada entre eles o casamento, era fachada.
Pense, dizia ele para a enfermeira, nas coisas que poderiam ter e no que poderiam fazer, usufruindo dos recursos intermináveis da família de Helena.
As posses que poderiam ter, as viagens que poderiam fazer juntos.
Ela era doente, muito doente, não poderia cumprir com as obrigações de esposa quase nunca.
Quem ele procuraria para o satisfazer?
E se Lília se aproximasse de Helena, se virasse sua amiga e confidente, como isso não seria proveitoso para eles.
Selam um pacto na cama.

Chega o dia, acontece o casamento que para a cidade para ver.
O médico que se casou com a paciente, e que muitos comentavam, só um verdadeiro amor para fazer isso mesmo, porque ela não sobreviveria mais que 2 anos com aquela doença,
mesmo assim ele a quis.
Marco era um santo, diziam todos na cidade.

Na nova casa, na nova vida, Helena estava preparando-se para viver.
Ela não tinha ainda, ideia do que.

Mas o marido chega em casa depois da festa, e então a esposa o esperava para a noite de núpcias.
Helena tinha medo de não atender as expectativas do marido, ainda mais fraca por fazer uma sessão de quimioterapia 2 dias antes de casar.
Propositalmente agendada pela melhor amiga, Lília, sua nova enfermeira.

Marco não consegue se relacionar com a esposa aquela noite, que passa muito mal.
Mas ele parece atencioso e carinhoso, não precisava se preocupar com isso, ele a deixaria na cama para descansar porque o que importava era seu bem-estar.
Estaria na sala se precisasse, e antes a dá um copo de água e um beijo de boa noite.
A água, com algumas gotas de um poderoso sonífero.
Nem um terremoto a acordaria, pensou ele, quando ligou para Lília.

Rapidamente a enfermeira chegou na sua casa, entrou pelos fundos como no combinado, e de fato ele tinha razão.
Tanto efeito fez o sonífero, que Helena não tinha ideia do que acontecia na sua sala.
Ela se quer escutou os gritos de Lília por toda a madrugada.
Gemidos de desejo e paixão que satisfaziam Marco, como nunca, como ninguém.

Continua.