Capítulo 9 | Reflexos do Luar |

Naquela manhã quando acordei, eu recebi uma ligação do celular.
Pablo conversou comigo e ele me parecia assustado.
Ele pediu que eu fosse o ver, em nome do amor que eu senti por ele um dia, e do filho que tivemos juntos.
Disse que não ia me fazer mal e que tinha compreendido que eu não queria nada com ele mais.
Também disse para mim, que tinha entendido que não podia me tomar o Cristian.
Eu resisti em o ver, e cheguei a pensar em desligar o telefone na cara dele.
Só que antes de fazer isso eu tinha que falar, precisava desabafar o que nunca falei.

Que ele era um mentiroso, canalha, covarde, sem vergonha.
Que merecia a pior morte de todas, e que não merecia ter ninguém do seu lado se não fosse a sua esposa Andreia.
Porque os dois se merecem, afinal os dois, são iguais.
Ambos são mesquinhos e deveriam ter o mesmo fim.
Um fim muito doloroso para que sofressem pelo menos 1% do que me fizeram sofrer.

Eu desliguei e então eu decidi sair um pouco de casa, fiquei fora naquela tarde, fui a cachoeira da cidade espairecer.
Depois voltei, e estava o tempo todo com Cristian.
Quando foi a noite, Erus me ligou e perguntou onde estava.
Eu disse que estava em casa, onde eles me deixaram.
Ele disse que tinham que me ver.
Mariana foi me buscar, e eu parecia estar vivendo um filme de terror.
Eu queria saber o que era o problema, por qual motivo estavam todos com aquelas caras.
E então Mariana me contou, que Pablo estava morto.
Eu levei um choque, quase tive um ataque.
Ela me disse que horas antes eu disse no telefone, que ele merecia morrer.
E a esposa também.
Agora os dois estavam mortos.
Os seus restos mortais foram encontrados, esquartejados e com partes do corpo carbonizadas.
Um fim terrível, exatamente como eu descrevera que eles mereciam.
E era por isso que a polícia estava atrás de mim.
Eu era a principal suspeita da morte, ao lado do meu pai, outro suspeito que também ameaçou Pablo publicamente.

Mas claro que nem eu nem meu pai, faríamos algo desse tipo.
Por mais que eu tivesse raiva eu nunca faria algo assim.
Por isso hoje estou aqui contando a minha historia.
Para que saibam e para que acreditem eu não tive nada ver com a morte de Pablo.
Eu queria que as coisas fossem diferentes e eu queria que ele sofresse pra pagar o mal que me fez.
Mas jamais faria justiça com minhas próprias mãos.
E tenho certeza, meu pai também não.
Afinal ele me criou e eu sou a sua imagem e semelhança.

Faz-se silêncio no tribunal, e então Mariana se manifesta.
Pedindo a palavra, a advogada pede que se apresentem as informações sobre o dia de Pablo e de sua esposa Andreia.