Capítulo 5 | Reflexos do Luar |

Aquilo não podia acontecer e o desespero tomava conta de mim.
Como e com que cara, voltaria para casa e ia contar aos meus pais que eu fui enganada.
Que eu estava grávida, largada, jogada como um pedaço de carne na rua.
Era impossível que eu seguisse adiante com aquela proposta, eu não poderia continuar.
Meu desespero é refletido pelos meus olhos quando Sheila entra no quarto.
Ela me olha e eu conto a ela o que estava acontecendo e ela parece surpresa, muito surpresa.
E então eu falo a ela que preciso de ajuda, tinha que tirar o bebê.

Sheila me diz que sim, com certeza, claro.
Ela ia me ajudar e ia me levar onde eu pudesse tirar meu filho, ela conhecia a pessoa certa para isso.
Aliás ela tinha muitas conexões na cidade e se eu quisesse, ela poderia me arranjar um emprego em outro lugar.
Eu agradeço mas não fazia sentido ficar mais em Curitiba, tinha que voltar para casa, não tinha mais nada que me segurasse ali.

No caminho para que eu fosse retirar o meu filho, tantas coisas passam pela minha cabeça.
Eu tinha tantos pensamentos ruins, e ao mesmo tempo medo e insegurança.
Sheila diz que entende o que eu possa estar sentindo, mas que eu tinha que pensar no meu futuro e no que era melhor para mim.
O que Pablo e Andreia fariam se eles descobrissem que agora, eu estava grávida.
Pablo, já tinha mostrado o quanto se importava comigo, que eu não valia nada para ele era só um joguinho.
Então ele poderia muito bem mandar me matar, se eu não sumisse com a criança.
Eu sabia que ela tinha razão.

Chegamos na clínica, preencho a ficha.
Sheila parecia influente e saber exatamente o que estava fazendo, por isso, eu entrei rapidamente para dentro para ser atendida.
Um médico já velho, aparência de tarado, me examinou com os olhos de cima embaixo.
Olhou para Sheila e perguntou.
“Mais quem é essa?”
“Essa é minha amiga Luna Dr.”
“Certo então.
É mais uma das que não consegue ficar com as pernas fechadas e por isso agora que embuchou veio aqui pra eu consertar né?
Vamos te impedir de parir menina, vamos te impedir.
Vai ficar em 300 viu Sheila.
Precinho camarada pra ti, minha cliente especial.”
Ele saí da sala e vai se preparar e eu quero saber, como é que ele conhecia ela.
Como eu ia pagar isso?
Ela diz que não me preocupasse, ela tinha dinheiro.
E ela já tinha ido ali outras vezes e levado outras amigas.
Ela mesma, já tinha feito dois abortos naquele lugar.
E o Dr. Astolfo tinha aquele jeito mas era boa gente.
Fazia tudo na encolha e era seguro.

Eu me preparo, mas ao mesmo tempo eu não sei, algo em mim era como se tivesse gritando para que eu corresse dali.
Sheila estava na recepção, e então eu estava na sala para a realização do procedimento.
Comecei a chorar e uma enfermeira me disse.
“Calma menina ou o Dr. vai te por pra dormir, se te ver assim.
Não quer tirar, então, seca essas lágrimas e vida pra frente.”
“Eu acabei de descobrir a gestação, e eu não sei se isso é o melhor.
Eu não quero ter porque o pai dessa criança, não vai me ajudar com nada.”
A enfermeira me olha, e então me diz.
“Parece ser uma moça direita então vou te falar.
Não precisa de homem pra cuidar de uma criança, eu cuido de 3, sozinha desde que o pai dos meus me trocou.
Trocou por outro macho se acredita.
Mas isso não me diminuiu.
Eu vim trabalhar aqui, e de tarde trabalho no Pequeno Príncipe.
E eu atendo as crianças, e eu cuido e eu sou útil pras mulheres que não querem ter.
Pras que são mães de verdade.
Se veio aqui com a Sheila, um conselho, fica longe dela, ela não é flor que se cheire.”
“Como é?”
“Sheila é cafetina menina, maior puta, e alicia as meninas como você.
Se não está trabalhando pra ela, ou ela vai te explorar, ou alguém a contratou.”
Eu entro em pânico e ela percebe, então me diz.
“Põe sua roupa menina, vou te ajudar a sair daqui antes que percebam, vem vem.”