Tributo – Homenagem a quem foi mais que um avô, e deixou marcas eternas em mim

Foto / G7 Orcon – Otair Rodrigues da Cunha entrega notebook para neto em festa de formatura
Por Jornalista Guilherme Kalel

Revista Kromnws – 25/08/2021

11 anos fazem hoje.
Que eu recebi aquela notícia.
A notícia mais difícil, desoladora, destruidora, dolorosa que eu poderia receber.
Havíamos o perdido.
Veio a pneumonia, as suas complicações, 21 dias de internação.
E naquele 25 de agosto de 2010, o Senhor cumpria a sua missão neste mundo e regressava para casa.

Eu tive que continuar aqui, e seguir em frente.
Passei por muito desde então, o senhor sabe.
Tudo que tive que enfrentar, cada batalha, cada desafio.
Quantas vezes as lágrimas insistiam em cair, quantas vezes houve revolta.

Demorou, até que eu compreendesse tantas coisas.
Que eu teria entendido mais facilmente se o Senhor estivesse aqui.
Porque sempre soube me ensinar, me moldar, me fazer ver o que era preciso de uma forma única e especial.

Mas eu aprendi, e segui em frente.
Tal como me ensinou.
Construi a minha família, e tenho orgulho dela.
Eu creio que se estivesse aqui hoje, ficaria feliz ao ver e conviver com meus filhos.
E ao ver o que eu tento todos os dias me tornar.
Se for, 1% daquilo que o senhor foi, me darei por satisfeito.
É o que eu tento fazer todos os dias.
Pegar os ensinamentos que me deixou como herança,
e leva-los ao pé da letra.

No trabalho, não ter medo de seguir,
aprender, começar e recomeçar.
Na vida pessoal, amar intensamente e fazer o que estiver ao meu alcance por minha família,
e tentar passar um pouco desses ensinamentos para minhas crianças.
O Senhor faz falta.
Na verdade, faz muita falta todos os dias.
Ouvir sua voz na porta do quarto todas as manhãs,
Me chamar nas horas de almoço e jantar.
Parece que todos os dias, escuto fazendo essas coisas ainda que tenha se passado tanto tempo.

Essas feridas parece que não vão cicatrizar, porque a dor de não o ter é muito real.
E como dizem, existe muita coisa que nem o tempo é capaz de apagar.
A saudade por não o ter aqui, é uma delas.
Saudade é a palavra para hoje.
E gratidão, sempre gratidão.
Por ter lutado tanto, por ter acreditado em mim, por ter me incentivado.
Por ter lutado comigo as minhas batalhas, e estar ao meu lado em cada sonho.

O senhor me fez Jornalista,
O senhor me fez chefe de família,
o senhor me fez acreditar no impossível, a viver sem fronteiras e limites, a encarar qualquer desafio.
Obrigado, por ter sido o melhor pai,
o melhor avô,
o ser humano mais incrível que eu já conheci.