The Journalist | Capítulo 4 |

The Journalist

Piter fica pensando, em tudo que escutou nas últimas horas e na sua demissão do jornal.

Não podia acreditar que nem um jornal na ilha de Oglopogos, fosse mais como antes.

Hoje o que importava não eram mais os princípios, mas sim o dinheiro.

Que notícia ia vender mais e como ela ia ser vendida.

Não se tornou Jornalista por isso ou para fazer isso, e estava frustrado.

No final, via que seus pais tinham razão, sua noiva também.

Ele tinha que ter seguido a carreira dos pais, e ficar frustrado para o resto da vida do que ter se tornado jornalista para ser frustrado ainda mais.

Demitido da forma como foi, disposto a publicar aquele tipo de artigo que ninguém ia publicar, ele sabia.

Ninguém iria o contratar.

Piter sabia que sua carreira chegara ao fim, antes mesmo de começar.

Ele tinha que fazer uma escolha e acabou escolhendo o escrúpulo, a descência, ao em vez do dinheiro.

Amanhece mas ele não tem coragem de contar aos pais que não vai mais ser jornalista,

ele sabia de cor, todo discurso que ia ouvir.

Ele queria orgulhar o avô, ser como ele.

Mas os tempos eram outros agora, as coisas mudaram, e como mudaram, ele pensava.

Na casa de seus avós, ele olha os livros que o avô deixou na estante.

A avó, vendo a tristeza do neto se aproxima dele.

“Seu avô estará orgulhoso de ti, não importa a decisão que tome.

Mas tem que saber que as coisas não foram fáceis.

Ser Jornalista não é para qualquer um, precisa ter o dom.

Quem faz isso por dinheiro por interesse, não conquista nada.

Quem faz por amor, por paixão, escreve seu nome na Historia.

Foi assim que seu avô fez e por isso, o nome dele está em cada livro, em cada artigo que ele publicou meu filho.

Se quiser seguir os passos dele, tem que ser desse modo.

Quando um jornal te fechar as portas, outros abrirão.

Quando nem um jornal mais parecer querer te ouvir, faça-os escutar.

Encontre uma historia, aquela que todos querem mas que ninguém conseguiu publicar.

Traga fatos, concretos, e publique-os.

Os jornais virão atrás de você.”

O conselho da avó, parece um acalento para o jovem rapaz.

Que volta para sua casa cheio de esperança.

Seu artigo é reescrito, e logo vira um livro.

Piter começa a investigar a fundo, a vida de Yago Castelamare, da sua família, de seu pai.

Os negócios da família na Itália, os negócios da família em Oglopogos.

Sem dizer que Castelamare comprava os jornais, revistas, etc, com seus anúncios, ele apenas convida o leitor a fazer uma reflexão,

por qual motivo pessoas como Castelamare, não eram punidas por seus erros.

Naquela tarde um carro para na porta da casa de Piter, e um homem toca a campanha.

Piter abre a porta e se surpreende ao ver quem estava parado na sua frente.

Vestido com um terno azul Royal, segurando uma garrafa de vinho italiano de uma das melhores safras entre as mãos.

Estava Yago Castelamare.

“Eu soube que estava fazendo uma vasta pesquisa sobre a minha família.

Eu soube que escreveu um artigo, e que seu antigo trabalho te demitiu por não toparem publicar.

Me deixe entrar, vamos conversar Jornalista.

Me mostre do que é capaz, quero ler o que escreve.”

Fala o mafioso, sorrindo.

Mas não com tom de sarcasmo, sim com um tom ameno, calmo, de tranquilidade e serenidade que, há muito Piter não via em ninguém.