The Journalist | Capítulo 3 |

The Journalist

Piter e Elize se encontram num café, ainda naquela tarde, e escondido de Yago.

Ele não tinha ideia de onde a irmã estava e nem estava tão preocupado assim também.

Mas ela, queria saber de fato o que houve no jornal, por que Piter foi expulso daquele jeito.

Embora ele não quisesse falar, ela insistiu e ele acabou revelando a verdade.

“escutei boatos sobre seu irmão ser mafioso.

Eu então comecei a investigar e montei diversas coisas.

Daí isso gerou um artigo que mandei pra ser pautado, achei que o jornal não ia se negar a publicar.

Mas Yago, compra metade ou mais que isso, daquele jornal.

Me disseram que faz isso com todos, por isso eu não poderia publicar e nem continuar trabalhando lá.

Esse foi o motivo de eu ser mandado embora.”

“Você tem filhos Piter?”

Lhe pergunta Elize.

“Eu não.

Eu tenho uma noiva, vamos nos casar em breve, mas não tivemos filhos ainda.

Não creio que tenhamos tão logo.”

“Quando se tem filhos para sustentar, as pessoas nem sempre fazem as melhores escolhas.

Meu pai, tinha filhos, 5 deles.

Por isso ele tinha duas opções.

Ou deixava a gente morrer de fome, ou seguia os negócios da família.

Eram negócios ilícitos, mexia com coisa que não prestava, ele sabia.

Mas era aquilo que punha comida na mesa.

Então ele assumiu a liderança das negociações, e em seu tempo, ele foi justo dentro do possível.

As mortes que cometeu, não foram nem uma sem merecimento.

Ele não matava inimigos por território, não matava por coisa mesquinha.

Claro que eu não espero que entenda isso, mas a realidade é essa.

Mas o meu pai morreu,

nós ficamos sozinhos.

Yago tinha uma escolha, pra cuidar de nós ele então acabou fazendo com que os negócios da família viessem pra ele.

E ele sempre foi bom de lábia, aumentou os negócios, prosperaram, fluíram.

Hoje, estamos aqui.”

Piter fica ali parado, com a xícara de café nas mãos, esperando para que Elize prosseguisse.

“Como eu te disse, não espero que nos entenda.

Não te culpo por não entender.

Mas também não acho que seja certo, o jornal te mandar embora.

Sei que tem convicções, e eu admiro isso.

Pode ter certeza de que meu pai, também ia admirar.

Gente como você, tem futuros brilhantes se for doutrinado no caminho certo.”

Eles conversam por um tempo, e Elize diz a ele que estava ali, para compreender o que aconteceu.

Mas que não ia o impedir de publicar seu artigo, se ele quisesse deveria seguir em frente.

Com certeza haveria algum jornal, que não se importasse mais com dinheiro, e que iria o autorizar a publicar.

Elize diz que tinha uns contatos e que poderia os passar, para que Piter tentasse a sorte.

Ele diz que agradecia, mas que ela não poderia ajuda-lo a destruir a família Castelamare.

Se soubessem que ela o ajudou, ela seria morta.

Elize sorri, diz que talvez expulsa da família, mas morta, não chegaria a tanto.

Eles conversam mais um pouco, e ela pede que ele pense bem, que anotasse seu telefone e a ligasse, se quisesse ajuda.

Elize vai embora, Piter fica pensativo.

Chega o jantar sua mãe conta a todos que o filho foi despedido.

A noiva Jenifer e o pai do Jornalista, ficam impressionados.

“O que fez que te mandaram embora,

aposto que foi insubordinado e inconsequente”, falou o pai.

“Deveria ter me ligado pra contar quando foi demitido, por isso eu acho que deveria ter seguido a carreira de seus pais”, falou Jenifer.

Piter então diz a eles que foi mandado embora, por causa do seu caráter.

Ele queria fazer uma denúncia, o jornal não quis publicar.

Ele achou que o jornal seria mesmo bom, como na época de seu vô,

se enganou.

O pai fala ao filho, que nada mais era como na época de seu avô, e que jornal, hoje em dia estava fora da moda.

Ninguém mais se interessava em ler, ninguém mais queria saber de notícias, de jornalistas.

“Claro papai, a onda agora é ser médico”, fala Piter se levantando da mesa, indo para o quarto.

Momentos depois, Jenifer vai atrás.

Ela pede que ele releve, porque seus pais só queriam o melhor pra ele.

Piter fala que só queria apoio, e que as pessoas criticavam sem saber de fato, o que estavam criticando ou o que estava acontecendo.

Uma sucessão de erros.

Piter fica pensando no que lhe disse Elize,

será que haveria em Oglopogos, algum jornal descente que topasse fazer a publicação,

aquela que ninguém mais quis falar, fazer, um jornal que fizesse jornalismo de verdade e não por interesses econômicos?