Pacientes vão para fila do transplante após o uso do Kit Covid

Por Mariana Novacki, Do Health Informe

24/03/2021 | 12h38

O Brasil ainda não está da maneira como se esperava, enfrentando a pandemia da Covid-19.
Passado 1 ano depois que a pandemia chegou ao país, muitas ações ineficazes estão sendo realizadas, em parte por conta da política de negação adotada pelo governo federal até ontem.
Até ontem, porque desde a manhã desta quarta-feira, o Presidente Jair Bolsonaro tem buscado rever seus posicionamentos no tocante a pandemia.
Resta saber por quanto tempo essa mudança de postura irá perdurar.

O que salva as pessoas é vacina e distanciamento social.
O Brasil tem feito cada vez menos, as duas coisas.
Nesse sentido substituiu-se o distanciamento e as vacinas seguras, por uma política de prevenção inócua.
O resultado disso é catastrófico. Cada vez mais pessoas estão enfrentando problemas graves de saúde por conta da tomada das medicações precoces contra o novo Coronavírus.

Ivermectina e Cloroquina, não impedem as pessoas de contrair a doença.
E nem são eficazes para combater a infecção naqueles acometidos.
Não é o Health Informe, não é um Jornalista do GK Comunicação ou de qualquer outro veículo de imprensa que está dizendo isso,
são os estudos científicos, é o próprio fabricante do produto no caso da Ivermectina.
Porque todos sabem, os riscos de se tomar esses medicamentos sem supervisão e orientação médica.

Os que tomaram a medicação, impulsionados pelo Presidente Jair Bolsonaro e pelo espírito de negacionismo da pandemia, agora tem um alto preço para pagar.
Crescem o número dessas pessoas que estão precisando de atendimento médico, e de transplantes de órgãos por conta das paralisações e danos, ocasionados pelos medicamentos.
Coração e fígado são os órgãos mais solicitados.
Foram registrados, de julho de 2020 a março de 2021, 5 transplantes cardíacos em pessoas saldáveis que tiveram problemas após a tomada da Cloroquina.
Outras 18 pessoas que tomaram Ivermectina, precisaram de um fígado novo.
Em São Paulo são 3 delas nessa situação, e outros números devem se juntar a esses.
Muitas pessoas ainda não perceberam a gravidade porque os sintomas podem demorar a aparecer, mas eles aparecem, explica a médica cardiologista, Ana Carolina Berbel, do Hospital Samaritano Paulista em São Paulo.
Ela tem um dos pacientes que precisam do transplante do coração, mas que não tem ideia de quando vai conseguir, ou se vai conseguir.
Um drama que poderia ser evitado diferente de uma doença crônica, mas que não foi.