Opinião – Um revés irreversível e inimaginável

Por Anna Keringger, do Informe Franca

24/03/2021 | 6h02

Um revés inimaginável, sem palavras para que possa descrever o quanto é de indignar e de causar estranheza.
É assim que as pessoas se sentiram desde a tarde desta terça-feira, 23, ao tomar conhecimento do que fez a 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal.
Os Ministros, maior parte deles, votaram para tornar Moro parcial para julgar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Desde o começo a defesa do ex-presidente vem argumentando que Moro agiu, propositalmente para condenar Lula ignorando provas de sua inocência.
Desde que foram revelados diálogos de Moro com procuradores da Lava Jato, a tese da defesa se consolidou e ficou mais forte.
Como se Moro tivesse agido de maneira deliberada para condenar o ex-presidente, e como se fosse uma perseguição política.

Quando Moro deixou a Magistratura para entrar no governo de Jair Bolsonaro, a Lava Jato recebeu seu pior tiro no pé.
O ex-juiz começou a ser ainda mais perseguido e tratado como político e não como agente da lei.
As condenações proferidas por ele passaram a ser alvo de questionamentos.

Lula depois de muito insistir, e de ter N Habeas Corpus negado, venceu o Supremo.
Conseguiu não apenas sair da prisão mas também, anular as suas condenações.
Seus processos voltaram a estaca zero e ele teve todas as questões processuais encaminhadas ao Distrito Federal.
Onde Lula residiu por anos como Presidente do Brasil e de onde conhece inúmeros Magistrados.
Um jogo que pode ser de cartas marcadas com a intenção clara, de agora absolver o ex-presidente.
Diante da nulidade do STF, quem terá coragem de o condenar?
Seus processos tem tudo para acabarem arquivados, assim como acontecerá com a Lava Jato.

O sonho de muita gente agora vai se tornar uma realidade,
condenações anuladas e um processo que será pautado pelo precedente aberto pelo STF.
E o pior, não se trata de um dispositivo legal que seja se quer verdadeiro.
Lula da Silva não é inocente, nunca foi.
E a Justiça brasileira falha mais uma vez, nada de novidade.
A novidade aqui, é a nova vergonha que o STF faz o Brasil passar, diante ao mundo e a si mesmo.