No RS, pacientes tem morte assistida e mudança em lugar de fila por vagas nas UTIs

Por Mariana Novacki, Do Health Informe

23/03/2021 | 6h

Pacientes internados com Covid-19 em Porto Alegre, vivem um drama.
O drama de entrar sem saber se irão sair do local com vida.
Tudo começa com a batalha para um leito da UTI em Porto Alegre, ou qualquer outra cidade do RS.
As vagas são muito escassas.
Quem está na UTI há mais de 21 dias, deixa de receber medicamentos essenciais para ser mantido vivo e passa a ter o que é chamado de morte assistida.
São fornecidas medicações que deixem o paciente confortável até que seu organismo pare sozinho,
o que no Brasil não é crime.

Por outro lado, pessoas que estão há mais de 7 dias esperando por um leito, e idosos acima de 60 anos de idade, são reposicionados na fila.
E são colocados no final dela, sempre que atingem a marca.

Médicos e enfermeiros contam sob anonimato, que a prática não é nova,
mas que começou a ser adotada com mais frequência na rede estadual e municipal de Saúde, com ordens de Porto Alegre,
desde o final de fevereiro, em meio a alta crescente de internações.
A medida é um desleixo com a vida e com o cuidado de quem poderia ser salvo, mas está sendo deixado literalmente para morrer no estado.
Desesperados, familiares tentam conseguir vagas sem sucesso.

Alguns optam por levar os doentes para a rede privada que também está saturada no estado,
Outros tentam transferi-los para estados irmãos, ainda no sul do Brasil.
A maioria sem sucesso porque não há condições para transporte.
As dívidas que as famílias contraíram são quilométricas.
Algumas ultrapassam os R$ 75 Mil, por menos de 5 dias de UTI a depender do hospital.

A prática usada no Rio Grande do Sul, é também usada em outras regiões do país.
Em todos é comum a mesma resposta, morte assistida e pessoas postadas no fim da fila por vagas, cenas comuns.O Health Informe, sob anonimato, ouviu médicos da linha de frente da Covid-19 em pelo menos 5 estados brasileiros.

Hoje o Brasil vem passando por uma alta crescente em mortes, e o sistema de saúde está em colapso.
Essas formas são, jeitinhos dados pelos profissionais técnicos, que não lidam com a linha de frente, para manter a rotatividade dos leitos.
Enquanto quem entende de medicina, se vê obrigado a seguir um sistema falho, insano, que presa qualquer coisa menos a vida em primeiro lugar.