Editorial – Franca, uma terra de ninguém que vai pagar o preço de novo

Do Informe Franca

11/03/2021 | 5h58

A cidade de Franca viu os casos de Covid-19 explodirem, entre os meses de janeiro e fevereiro de 2021.
A cidade teve em fevereiro o mês com mais mortes pela pandemia da Covid-19.
Foi para a fase vermelha, voltou a laranja, e agora deveria estar na vermelha de novo.
Deu trabalho, a Prefeitura precisou se desdobrar para conseguir arranjar leitos que atendessem a população.
Enquanto o Prefeito Alexandre Ferreira cobrava João Doria, governador do estado, pelos leitos que foram retirados de Franca e região,
mais e mais pessoas se infectavam, morriam e precisavam de um hospital.

Franca exportou pacientes para outras cidades,
dezenas de pessoas.
E muitos morreram em hospitais de outras cidades longe de seus familiares, viraram estatísticas.

Quando Franca conseguiu conter a alta de internações e os leitos que faltavam,
a cidade não teve tempo para respirar.
O mesmo Prefeito que outrora cobrava o governador estadual, decidiu fechar os olhos a realidade.
Sendo assim, permite a liberação de bares, restaurantes, lojas e outras atividades não essenciais em meio da fase vermelha.
Apoia vereadores para que aprovassem um projeto que cria uma lei inconstitucional no Município, que embase a sua decisão.

Hoje, Franca começa a ver os números subirem de novo.
Resultados de inconsequentes medidas da Prefeitura Municipal, para reabrir a economia.
Colocando o dinheiro acima da vida.
Todos querem e precisam trabalhar, é verdade.
As pessoas tem que pagar contas e precisam comer, é verdade também.
Mas a outra verdade é, se todos saírem para o trabalho,
se tudo reabrir, a economia vai ser salva?
Ou as pessoas ficarão tão doentes e morrerão que não vai mais sobrar vidas para que possam fazer compras?
Será que a cidade de Franca não entraria em colapso, se os casos voltarem a explodir?
Onde vamos sepultar tanta gente, se nos principais cemitérios da cidade, há lotação já de túmulos?
Alexandre Ferreira cobrou Doria por leitos e no final teve que bancar boa parte deles por meio da Prefeitura.
Mas será que o Prefeito consegue fazer isso mais tempo, e com mais leitos, se o número de repente ultrapassar os limites do que a cidade hoje tem?
E quando o espaço físico não for mais suficiente para internar, as pessoas serão colocadas onde?

São as respostas dessas perguntas que as pessoas deveriam se fazer.
Antes dos comerciantes e donos de bares e restaurantes saírem as ruas a protestar,
deveriam por a mão na consciência e pensar.
E nessa pandemia, onde cresceram as vendas Online de maneira considerável.
Esses comerciantes, esses donos de bares e restaurantes, eles pararam mesmo de trabalhar?
Ou só querem reunir a galera nos estabelecimentos de novo, porque aglomerar é mais bonito que entregar pelo Ifood?
Com a palavra nossa consciência.
Numa cidade que mais parece uma terra sem leis, é o que se espera agora.