Opinião – A decisão que rasga a Constituição, levanta dúvidas e recoloca na mesa um projeto de poder perpétuo

Por Carolina Winter, Do Informe Franca

Brasília – 09/03/2021 | 6h

Nesta segunda-feira o mundo do Jornalismo acordou, sem ter ideia do que iria acontecer mais tarde.
O universo político não sabia que no final daquele dia 8 de março, ele teria suas estruturas abaladas e sacudidas pelas ações de um único homem.
Eu ainda tomava o meu café da manhã em casa, quando recebi uma mensagem no celular.
Alertando que uma decisão vinda do STF hoje, iria balançar as estruturas do Brasil, de novo.
Por ter uma certa limitação física agora por causa da Covid-19, eu não tinha como ficar a espera da decisão o dia todo.
Avisei aos jornalistas do Informe e montamos uma força tarefa de colaboradores,
a espera da notícia.

Não tardou e ela veio.
Por volta das 13h45, o Ministro Edson Fachin, publicou o que ninguém queria noticiar.
As condenações do ex-presidente Lula feitas pela Justiça Federal do Paraná na Lava Jato, estavam anuladas.
Todas as duas, incluindo a que foi referendada em tribunais superiores.

Uma afronta ao cidadão de bem,
uma afronta a Justiça como um todo,
uma afronta ao Brasil.

Nós assistimos atônitos mais uma vez, a máxima de que ser criminoso no Brasil é algo compensatório.
Enquanto Lula se vangloriava por vencer uma longa batalha jurídica,
sua esquerda fanática publicava posts e mais posts nas redes sociais, exaltando-o,
nosso trabalho prosseguia.
O desafio era grande, ao tentar entender ques critérios Fachin usou para anular todas as sentenças.

Ele não pensou no legado da operação Lava Jato, parcialmente destruído antes de sua nova decisão?
Não pensou que houveram inúmeros questionamentos e que todos passaram, provando por a + b que seus questionadores estavam errados, e a operação seguiu o curso certo?
Não pensou que sua decisão monocrática absurda, deu margem para que outras condenações desta e de outras operações fossem derrubadas?

Imaginem quantos agora, como Lula, irão criar a teoria de conspiração por parte de promotores e juízes,
sem fundamentos ou lógicas, apenas para que consigam a anulação de suas sentenças.
Ainda que elas já tenham sido referendadas por tribunais colegiados.

Com a sua decisão, Edson Fachin dá um recado.
Não a proteção da Lava Jato ou a não tentar julgar a suspeição de Sérgio Moro,
como muitos publicaram, é o oposto disso.
O recado deixado e maneira clara e coesa, é que as decisões mesmo de tribunais colegiados, podem ser erradas.
E que o STF é que tem que dar a palavra final em tudo no Brasil.

Vergonha de novo, do que se transformou a Suprema Corte neste país.
E mais vergonhoso ainda a atitude de um Ministro, que outras vezes defendeu a Constituição e o correto.
Que condenou bandidos e que inúmeras vezes o mesmo Fachin,
negou Habeas Corpus a Lula, mantendo ele na prisão e depois, sendo contra sua soltura.
É Ministro, o que será que o fez mudar de ideia, pensam os brasileiros.
Merecemos essa resposta.

Para Lula tudo está bem,
elegível de novo para 2022, nada mais está no seu caminho de retomar o seu projeto de poder perpétuo.
Nada pode o derrotar agora, nem mesmo o mito, Bolsonaro.
Que provou também por a + b, ser ineficaz como Presidente,
como combatente, como opção.