Diabetes, Cardiopatias e Coronavírus – Uma combinação tóxica que matou mais de 60 pessoas em menos de 30 dias e que continuará a matar

Por Lívia Tomazelli e Mariana Novacki, Do Health Informe

06/03/2021 | 7h

De 8 de fevereiro de 2021, a 4 de março de 2021, 58 pacientes da Meclin que será incorporada na semana que vem a rede Santa Clara Onor, e 6 pacientes da própria empresa, morreram de maneira súbita.
As mortes ocorreram do mesmo modo, um ataque cardíaco fulminante sem que houvesse qualquer chance de socorro aos pacientes.
Alguns morreram enquanto dormiam, outros, no meio do dia.
Os pacientes tinham cardiopatias e eram monitorados pelas centrais de monitoramento,
quer seja por aplicativos em celulares ou relógios de pulsos.

Para os médicos que assistiam as cenas, um momento desolador.
A perca de um paciente sem que pudessem fazer nada, reforça a médica Melissa Collins, cardiologista da Meclin.

A médica Beatrice Germain, que também trabalha na mesma central e é pesquisadora,
iniciou uma análise dos casos que ocorreram.
De 65 pacientes da Meclin no monitoramento, apenas 7 cardiopatas estão vivos.
Na Onor, foram 6 mortes de 36 pacientes registrados e 30 seguem sendo monitorados.

O desafio era saber, o que todos os pacientes mortos tinham em comum, para tentar frear de alguma forma se possível, os ataques fulminantes.
A Santa Clara chegou a convocar pacientes para que na semana que vem, fossem fazer exames e tentar ver o que há de errado com seus corações.
O estudo de Beatrice, pode jogar um pouco de luz a essas causas.

Dos 64 mortos até aqui, em menos de 30 dias, 4 tiveram a Covid-19 e morreram ainda em tratamento contra a doença.
A indicação é que a Covid, aliada a seu problema de saúde, acabou por mata-los.
Outros 60, eram pacientes com cardiopatia grave e que estavam sendo monitorados.
E que também tiveram em algum momento, entre maio de 2020 a janeiro de 2021, a Covid-19.
Ou seja, eram pacientes que estavam sob observação de sequelas provocadas pela doença.
Alguns deles, 10, passaram por procedimentos cirúrgicos recentes no coração, por conta de problemas após a Covid.
E 3, estavam respirando pelo oxigênio em casa.

Mas há outros fatores que devem ser levados em consideração.
Além de cardiopatas, os 64 pacientes tinham Diabetes.
Os 64 pacientes tinham ou tiveram a Covid-19, e essa foi a combinação tóxica que os levou a morte.

O Coronavírus deixa sequelas ainda desconhecidas no Diabetes, e uma série de infecções no corpo, aponta o relatório de Beatrice Germain,
que foi apresentado a rede Santa Clara neste sábado.
Os médicos devem se debruçar no estudo, para que então, tentem traçar uma linha de tratamentos para manter pessoas vivas.
Dos 37 sobreviventes, 22 não tem diabetes, só problemas cardíacos.
Os outros todos 16, tem, e já tiveram a Covid.

Os fatores de risco, indicam que é preciso fazer um tratamento e rápido, de prevenção, a infecções e a paralisação e deterioração, dos sistemas cardíaco e imunológico desses pacientes.
O que a Diabetes e a Cardiopatia fazem por si só com o tempo, mas que a Covid acelera em velocidade sem precedentes.

A médica Melissa Collins disse que, o final de semana será de conferência médica Online.
Para que o estudo seja aprofundado e que os profissionais de saúde, cheguem a uma decisão de tratamentos que possam surtir algum efeito.
O objetivo é salvar essas 16 pessoas, e mais que estiverem na situação.
Os 64 mortos registrados no estudo são, apenas pacientes da Santa Clara e Meclin, que agora pertencem a mesma empresa de saúde.
Mas outros registros mostram que, há mortes registradas pela mesma vertente.

Dra. Beatrice Germain, acresce em seu relatório que na Amil e nos hospitais da rede, 23 pessoas morreram pelas mesmas causas no mesmo período.
No Samaritano, foram 35 mortes.
E os números crescem em outras regiões do país.
Pessoas que não são contabilizadas nas mortes de Covid, porque morrem da causa dela, mas depois de estarem passado pela fase aguda da doença.
Ou seja, depois de tecnicamente terem se curado.