Politicagem com a vida – Governo federal corre contra o tempo para garantir doses de vacinas a qualquer preço e deixar governadores e prefeitos sem nada

Por Vanessa Rezende e Carolina Winter, Do Informe Franca

Brasília – 05/03/2021 | 6h

O governo federal brasileiro mais uma vez, age de maneira fria, calculista e mesquinha no combate a pandemia da Covid-19.
Depois de desdenhar da situação da pandemia, do Presidente chamar a Covid-19 de gripezinha, de aparecer em diversos eventos sem máscaras e induzir as pessoas a não respeitar o isolamento social,
Bolsonaro começou a atacar governadores, eventuais adversários políticos.
E determinou que sua equipe, fizesse o possível para adquirir todas as doses de vacinas disponíveis nas empresas para o Brasil.
O objetivo é impedir que estados como São Paulo, ou Municípios que tenham prefeitos de renome,
se destaquem ao conseguirem compras próprias das vacinas.

Ao em vez de unir forças, o Presidente prefere fazer politicagem barata com a vida das pessoas.
Das vacinas mais estranhas as mais prováveis de ter eficácia agora, o governo Bolsonaro atira para todos os lados.

Coronavac
O governo adquiriu 104 milhões de doses desta vacina, depois que o Presidente Bolsonaro disse não diversas vezes aos chineses.
A vacina foi adquirida através de um contrato com o Instituto Butantan, que obriga o mesmo entregar as doses produzidas para o Ministério da Saúde.
Serão entregues até o final do ano, 104 milhões de doses.
14 milhões começam a ser produzidas na semana que vem, e outras 11 milhões já foram distribuídas.

Astrazeneca
Esta foi a primeira vacina a chegar vinda do exterior no Brasil, sendo produzida fora do solo brasileiro.
Mas, há contratos para que a vacina seja produzida no Brasil através de uma parceria federal.
Milhões de doses da vacina foi adquirida, e outras milhões estão no radar do governo.
O governo federal porém, ignorou alguns fatos importantes relacionados a essa vacina,
produzida pela Astrazeneca em parceria com a Universidade de Oxford.
A vacina que era muito promissora acabou derrapando no final, apresentando efeitos adversos e ainda, não tendo a eficácia esperada no combate a Covid e suas variantes.

Pfizer
Talvez esta seja a vacina mais polêmica até aqui.
O laboratório iniciou tratativas com o governo brasileiro no ano passado, mas não as concluiu.
Algumas cláusulas com o contrato foram consideradas estranhas e abusivas pelo Ministério da Saúde.
Não mais que de repente, assim que outros estados e empresários brasileiros procuraram o laboratório para uma nova rodada de negociações, o governo federal decidiu intervir.
E deve assinar até na semana que vem, um contrato com a marca.
Onde aceita, depositar dinheiro em uma conta no exterior, antes das doses serem entregues;
Aceita ainda, isentar o laboratório de qualquer reação que a vacina possa causar;
E por fim, que qualquer questão judicial relacionada a vacina no futuro, seja tratada por um tribunal em Nova York, não no Brasil.

Moderna
Outro foco do governo federal, é a Moderna,
um laboratório que o Ministro da Saúde, Eduardo Pazuello já havia rejeitado no passado.
A desculpa na oportunidade é que as vacinas da farmacêutica, custavam até 20 vezes mais que da Astrazeneca, e por isso seria inviável.
O laboratório ainda demoraria meses, para iniciar entregas das suas doses ao Brasil.
Mas uma tratativa vem sendo feita com a empresa e um contrato também pode ser assinado.
A Moderna não diminuiu o preço e o Brasil vai pagar o que pedirem agora,
outra coisa é que, aceitarão que as doses sejam entregues somente em outubro.
Serão adquiridas se tudo prosseguir dando certo, 50 milhões de doses da vacina, aplicada em duas doses.
O que permitiria se garantir vacinação para 25 milhões de brasileiros.
As doses seriam entregues em fases, iniciadas em outubro de 2021, e se estenderiam até o final de 2022.

Janssen
A vacina mais promissora até aqui, porque precisa de apenas uma dose para eficácia,
também entrou no radar do governo federal.
No dia em que o governo de São Paulo e outras empresas no Brasil demonstraram interesse pela imunizante, o Ministério da Saúde contactou o laboratório.
E mais, pediu exclusividade nas tratativas para ser o único comprador direto do Brasil.
Se a Janssen aceitar, estados, municípios ou outras empresas não poderão adquirir a imunizante.

Sputnik V
A vacina russa também é outra que está em tratativas no Brasil.
Algumas doses chegaram a ser enviadas ao serem compradas pelo governo brasileiro, que agora tenta comprar mais.
A vacina é controversa, e não foi aprovada por nem uma agencia internacional reguladora de relevância.
O medicamento só tem aprovação do seu país de origem, Rússia, e de outros países em que ela foi aplicada ou está sendo, como os vizinhos argentinos.

Covaxin
A vacina produzida na Índia, está no radar do governo brasileiro.
Mas uma novela se estende por conta de entraves entre os governos brasileiro e indiano, para a conclusão da compra das doses da vacina.
Já chegou a se anunciar que as doses chegariam ao Brasil, mas por hora nada de concreto aconteceu.