Opinião – Erro de Doria é tentar evitar o inevitável diante ao colapso eminente em SP

Por Jornalista Guilherme Kalel, Do Informe Franca

03/03/2021 | 7h42

O governador de São Paulo, João Doria, estuda regredir todo o estado pelo prazo de 14 dias a contar deste final de semana, para a fase vermelha no plano de flexibilização a quarentena.
Se isso acontecer, a partir de sábado, o estado estaria obrigado a fechar todos os seus setores não essenciais.
Porém, algumas medidas ainda pesam nessa escolha.
Doria ainda tenta convencer prefeitos, apesar de ter conseguido um bom apoio no último dia 2 de março,
que a medida impopular é em nome de um bem maior.
É preciso fechar agora para evitar um Lockdown total no estado, semelhante ao adotado em países da Europa onde nem supermercados abriam.
Cidades no interior do estado como Araraquara, tiveram de adotar tal medida drástica tamanha é a crise que se instalou no Município.
As configurações mostram que março pode ser o pior mês da pandemia no Brasil.
Os números não mentem e não são invenção de jornalistas, como alguns dizem.

Eles mostram um aumento nos casos, um aumento acentuado nas mortes e mais do que isso, nas internações.
O sistema de saúde está praticamente em colapso incluindo a rede particular que começa a ficar saturada.
Isso quer dizer que há tantos casos que logo mais, médicos terão que começar a decidir, quem recebe ou não tratamento contra a Covid-19.
A exemplo do que ocorreu ano passado na Itália, no auge da pandemia no país.

Por São Paulo, Doria tenta algumas medidas como último alerta.
Além de por o estado na fase vermelha, o governador pretende adquirir mais 40 milhões de doses de vacinas para seu estado e população.
Elas seriam da Rússia e da Pfizer.
Notícias um tanto quanto contraditórias e depois em outro momento falamos porque.

De qualquer modo, além disso o governador pretende gastar mais com publicidade para conscientizar as pessoas,
e pedir que prefeitos façam o mesmo movimento nos seus Municípios.
A conscientização e o aumento da fiscalização são as únicas armas agora que podem ser usadas.
Fora de sintonia com o governo federal, que nega a piora da pandemia no Brasil,
São Paulo pode ter que caminhar sozinho e a tarefa de convencer a população logo não será fácil.
Ainda mais a depender de certas medidas adotadas pelo governador.
Nesta semana, Doria assinou um decreto que torna as igrejas atividades essenciais.
Na fase vermelha os templos não fecharão como no ano passado.
As escolas são outra disputa a parte.
Enquanto o Secretário de Saúde vem a público dizer que as unidades tem que fechar em todo estado paulista, a Secretaria de Educação continua com o discurso de que tem que ficar aberto.
Doria, endossa o discurso de seu Secretário e parece permitir a reabertura mantida mesmo em fase vermelha.

Contraditórias porque, num momento em que se fala em fechar tudo para conter o vírus,
por que as escolas ficariam abertas?
Por que as igrejas teriam de abrir?
Os comerciantes é que questionam, se outros podem por que eles não?
Os questionamentos são absurdos no meio de uma pandemia, mas não são de todo mal.
Entende-se que pau que bate em Chico, deve bater em Francisco.
Logo, se o governo pretende fechar o estado é necessário e imprescindível que a medida se estenda a todos os setores,
incluindo igrejas e escolas, locais de alta taxa de aglomeração.