Pfizer retoma negociações com o governo brasileiro para vacinas, mas não abre mão de isenção de responsabilidades por efeitos colaterais

Por Lívia Tomazelli, Do Health Informe

23/02/2021 | 6h

O laboratório Pfizer voltou a negociar com o governo brasileiro, a venda de sua vacina contra a Covid-19.
As negociações haviam parado no mês passado por questões técnicas que o governo não concordava.
Agora elas foram retomadas, apesar do laboratório não lançar mão de suas condições para fornecer o imunizante ao país.

No ofício encaminhado ao governo brasileiro, a empresa se compromete a entregar de modo fracionado, 100 milhões de doses da vacina.
9 milhões seriam entregues até o final de junho de 2021.
Em setembro seriam recebidas outras 35 milhões.
O restante, seria entregue até dezembro.

Mas para que o contrato tenha validade, a Pfizer não abre mão de ser isenta de responsabilidades por eventuais efeitos colaterais de sua vacina.
Ou seja, o laboratório quer comercializar seu produto no país, mas não quer ser responsabilizado civil ou criminalmente se tiver qualquer dano a quem toma-lo.
Isso por si só, soa um tanto quanto esquisito, ainda mais para uma empresa internacional de renome.
Até agora, nem uma reação adversa grave foi constatada com nem uma vacina.
Mas se a Pfizer está preocupada em ficar isenta, é porque já sabe que algo pode acontecer, só não quis revelar.

Outra coisa que precisa ser apurada, é se o laboratório impôs essa cláusula apenas no Brasil, e se sim, por qual motivo.
Se não, e negociou assim com todos os demais países, porque nem um outro governo tornou isso público ainda, já que é algo grave e de interesse da população saber.

A Pfizer foi um dos primeiros laboratórios a começar a ter a vacina usada na população, no Reino Unido.
Depois isso se espalhou para outros pontos do planeta.
A dose da vacina deve ser ministrada em duas aplicações, com intervalo de até 28 dias entre elas, para se alcançar 95% de eficácia.
A medicação e´uma das que tem um dos maiores impeditivos para chegar a diferentes países.
Seu armazenamento precisa ser abaixo de 70 graus negativos.
Não é qualquer tipo de refrigeração que chegaria a esses níveis, o que torna seu transporte mais caro e complicado de se fazer.